A oferta da resolução de 1080p (Full-HD) dos discos Blu-ray continua
sendo o principal trunfo dos estúdios e da indústria na tentativa de
aumentar as vendas da tecnologia e, todo o mundo. A cada dia mais, no
entanto, serviços de vídeo online se aproximam da qualidade do Blu-ray e
tentam igualá-la.
Tanto a PlayStation Network como o XBOX 360, por exemplo, já oferecem
vídeos em 1080p. O serviço Vudu, do Walmart, também. A rede de varejo,
aliás, divulga o serviço como "o conteúdo com a mais alta definição
disponível na internet ou em serviços on demand". O CinemaNow, da Best
Buy, também oferece filmes em 1080p para quem tem um PC com
processadores de segunda geração da Intel. E a Netflix, que começou a
oferecer conteúdo via streaming em alta definição já em 2010, agora
colocou seus vídeos em 1080p na nova Apple TV (o media player), e tem
planos para fazer o mesmo no novo iPad.
Para toda e qualquer promessa de streaming em Full-HD, no entanto, há
várias razões para o Blu-ray não ser superado, de acordo com Andy
Parsons, vice-presidente de Comunicação Corporativa da Pioneer
Electronics e membro do comitê de promoção da Blu-ray Disc
Association nos Estados Unidos. "A capacidade dos discos blu-ray permite
transferências de dados e tamanho de arquivos comparativamente grandes,
já que não precisamos nos preocupar em irritar o usuários com enormes
tempos de download ou em ocupar muito espaço nos HDs", disse.
Streaming de conteúdos com resolução 1080p também não apresenta esse
problema de ocupar espaço nos computadores, e o porta-voz do Walmart,
Ravi Jariwala, disse que os assinantes do serviço Vudu com banda de
4.5Mbps ou mais já conseguem ver os vídeos em HD e com som surround em
5.1 ou 7.1 canais com quase nada de tempo de
carregamento (buffering). "O retorno que temos dos nossos clientes com
relação ao conteúdo HD é incrivelmente positivo, disse Jariwala.
Por outro lado, Andy Parsons não acredita que a maioria dos
domicílios norte-americanos sejam capazes de manter a velocidade de
transferência de 4Mbps a 5Mbps, necessária para ver o conteúdo em 1080p
sem pausas. Um estudo realizado no final de 2011 pela Pando Networks
concluiu que a velocidade de banda média nos Estados Unidos é de
4.93Mbps. Redes imprevisíveis também são uma preocupação, segundo
Parsons.
"Quando consideramos que a Netflix sozinha pode consumir até um terço
da capacidade de internet nos EUA em horários de pico, adicionar
conteúdo de 1080p não parece ser uma opção viável a longo prazo ",
afirmou. "Discos blu-ray nunca vão frustrar os usuários com pausas ou
erros desse tipo, pois não dependem da qualidade ou disponibilidade da
rede".
Há também a questão da compressão. Serviços que oferecem resolução de
1080p recorrem a diversos recursos para comprimir o conteúdo em alta
definição para poder "passá-lo" pelos canais disponíveis e chegar às
telas. Apesar de serem cada vez mais avançados, nenhum desses recursos
garante a mesma qualidade de vídeo oferecida pelo Blu-ray. Isso
significa que streaming de conteúdos em 1080p pode ter ruídos, enquanto a
imagem do Blu-ray é, em comparação, irreparáveI.
O editor de alta definição do site Engadget.com, Ben
Drawbaugh, concorda com Parsons. “Já tentei ver filmes do Vudu e as
pausas foram um incômodo, enquanto no Blu-ray isso nunca aconteceu",
disse.
Enquanto a qualidade de downloads e streaming de vídeos em 1080p se
aproximam da tecnologia do Blu-ray, pode-se questionar quantas pessoas
serão capazes de notar a diferença entre os dois. Executivo sênior da
consultoria NPD Group, Russ Crupnick afirma que um grupo pequeno de
usuários são capazes de diferenciar a qualidade de Blu-ray e de
streaming ou downloads de vídeo em 1080p, e que a diferença entre os
dois é realmente muito sutil. "Há o bom, o muito bom e o suficientemente
bom", explicou.
[HT]
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