Comentamos na semana passada sobre os lançamentos
da Samsung e da LG na Coreia (TVs de tela curva, com painéis orgânicos OLED).
Agora, vamos atualizar alguns números sobre as perspectivas (na verdade,
estimativas) da indústria para esse nicho de mercado. A pedido dos fabricantes,
várias empresas de pesquisa e consultoria têm se dedicado ao estudo do tema,
com vistas ao que a maioria acredita será a tecnologia dominante ao final desta
década. E há alguns dados interessantes.
Primeiro, é preciso lembrar que produzir e
distribuir painéis OLED ainda é um desafio. Os níveis de yield (índice
de perda durante o processo de fabricação) são considerados altos para
viabilizar a produção em alta escala. Isso faz subir os custos industriais e,
portanto, não se consegue atingir preços competitivos. Nenhum grande fabricante
irá aderir se não puder produzir em altas quantidades. Mais ainda: não basta
que os TVs OLED sejam sucesso apenas em um país; é necessária uma escala global
de distribuição, cobrindo pelo menos as três regiões-chave para a indústria:
América do Norte, Europa Ocidental e Japão/Austrália. Também por serem
aparelhos delicados, os painéis implicam em enormes precauções quanto ao
transporte, logística de entregas etc. A América Latina com certeza deixa de
ser prioridade, devido à precariedade de sua infraestrutura.
A consultoria DisplaySearch, por exemplo, calculou o custo
de produção de cada painel OLED. No caso de um 55 polegadas, o valor seria de
US$ 2.454 no primeiro trimestre de 2013; isso significa, em média, sete vezes o
custo de um painel LCD convencional. A estimativa é de que um ano depois, ou
seja, início de 2014, aquele valor caia para cerca de US$ 1.500. Nessas cifras,
não estão considerados os custos operacionais e de distribuição, muito menos as
margens de lucro que cada fabricante aplica a seus produtos, menos ainda as
margens dos varejistas.
Vejam que a queda, em um ano, seria de quase 40%. A
expectativa é de que quando o custo industrial chegar à faixa de 600 ou 700
dólares, aí sim, OLED será uma tecnologia pronta para o mercado. Quanto aos
preços finais, não há como prever. Não há como estimar, por exemplo o peso dos
impostos na conta – e o Brasil, como sabemos, é uma péssima referência nesse
aspecto.
[Orlandobarrozo]
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